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O rótulo desse vinho pode induzir o enófilo a crer se tratar de um exemplar de entrada da vinícola. Um vinho básico, feito de uvas do segundo escalão da propriedade, apenas para dar uma noção de como os proprietários vinificam.

A falácia está aí. O Bourgogne Blanc do Domaine Comte Georges de Vogué é na verdade o único vinho Grand Cru branco da Côte de Nuits.  Ocorre que, no meio dos anos 80 esse vinho era um Musigny Blanc (que é um Grand Cru) e nessa época seus vinhedos foram replantados. Ficou decidido que passariam a engarrafar o vinho como Bourgogne Blanc e só voltariam a usar o rótulo Musigny quando o vinho atingisse a qualidade que os proprietários achassem necessária.

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Só para constar: O único Grand Cru tinto da Côte de Beaune é o Corton.

Embora já possa legalmente ser engarrafado como Musigny, os proprietários continuam estampando o rótulo Bourgogne Blanc. Essa “desclassificação” do Musigny gera outro sofisma: Não havendo Musigny Blanc, não é possível haver AOC Chambolle-Musigny Blanc (nem Village, nem 1Cru), fazendo com que outros vinhos de qualidade, da região de Chambolle-Musigny, também sejam rotulados como simples Bourgogne Blanc.

O que não mudou muito foi o preço. O vinho, mesmo ostentando um rótulo simplório, continua a bater os três dígitos, tanto em dólar quanto em euro. Não é importado para o Brasil.

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O exemplar bebido foi da safra 2007, com uma acidez eletrizante e frescor; envolvidos por um carvalho majestosamente integrado. Uma aula de como a madeira deve pontuar um vinho branco. Sem aqueles excessos corriqueiros em que os exagerados aromas de côco, baunilha e tostado tornam a bebida falsa e enjoativa. Acompanhado do melhor bacalhau da cidade (o do ´Gero) se tornou imbatível.

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